sexta-feira, 20 de março de 2020

uma história

Deixem-me contar-vos uma história. Era uma vez uma aluna que desenhava como quem respira. Docemente, mas o seu traço revelava segurança, fluidez e desenvoltura. Podia ter estado como todos nós, em casa em isolamento mas, esta aluna trabalhava na linha da frente. Não, não era enfermeira ou médica e também não era polícia. Trabalhava apenas numa cadeia de fastfood que, apesar de fechar a parte do restaurante continuava aberto para takeaway. Nos intervalos deixava desenhos nos guardanapos... A folha A3 era demasiado grande para o espaço e o tempo que tinha à sua disposição.

Tenho a sorte de ser professora dela.

Há pessoas para quem o ato de desenhar/pintar/modelar/esculpir é tão vital como respirar. 

Fiquem bem, fiquem em casa
#euficoemcasa

O projeto do Inferno/Paraíso numa caixa de sapatos

Recebi ontem por email o projeto completo da Beatriz Moreira. (Obrigada Bea☺) Deixo-vos aqui apenas um pedacinho para vos incentivar a continuar a trabalhar. Como podem ver é muito simples e não vos tomará assim tanto tempo. 
À medida que me forem enviando as fotografias dos vossos projetos eu vou colocando aqui para que todos possam ver. 
Para a semana gostava que me enviassem as pesquisas e os desenhos que foram fazendo para o Adamastor. 

Fiquem bem, fiquem em casa
#euficoemcasa

quinta-feira, 19 de março de 2020




Já "chegaram" dois trabalhos.

Análise e registo à mão livre do objeto.
O registo deve transmitir adequadamente a morfologia, as proporções, o volume e as sombras, própria e produzida pelo objeto.
Utilização de um modo de registo que conjugue traço e mancha.
Utilização grafites de diferentes graus de dureza.
Adequação da dimensão do registo aos meios atuantes utilizados.
Ocupação equilibrada do espaço livre da folha de resposta.

Fiquem bem, fiquem em casa.

Inferno e Paraíso numa caixa de sapatos














O trabalho da maquete "Inferno e/ou Paraíso numa caixa de sapatos - baseada no Auto da Barca do Inferno" está praticamente terminado. Quando retomarmos as aulas iremos fazer as auto/heteroavaliação e a avaliação. As maquetes encontram-se na escola e são resultado de trabalho de grupo, no entanto, se algum grupo quiser melhorar ou terminar o projeto pode fazê-lo em casa. O projeto não é a maquete mas sim desenhos preparativos, desenhos com medidas, lista de material e técnicas usados, a pesquisa visual, a justificação das cores usadas, a distribuição de tarefas e tudo o mais que entenderem colocar para valorizar a comunicação. Não esquecer que as folhas do projeto são de formato A4 com esquadria de 1cm. 


Fiquem bem, fiquem em casa.

quarta-feira, 18 de março de 2020

A imaginação mantém-nos vivos

Tim Burton (25/08/1958, Califórnia) iniciou a sua carreira como animador nos estúdios da Disney. Os seus trabalhos lembram os ambientes góticos de Allan Poe povoados por estranhas criaturas entre o onírico e o macabro. Este modelo é o Rapaz Ostra, a personagem principal da história "A morte melancólica do rapaz ostra". Reparem no rosto criado numa forma que é uma concha. 

Poderão vê-lo no Museu da Marioneta quando sairmos do isolamento. 

Já agora fica aqui o desafio, Tim Burton também criou o Rapaz Nódoa...alguém quer desenhá-lo?




E um dia acordámos e o mundo estava diferente.

E um dia acordámos e o mundo estava diferente.
Um inimigo que não vemos foi capaz de nos tirar a brisa da manhã, o beijo quente de bons dias, o abraço doce do fim da tarde.

O barulho da rua diminuiu, deixando ouvir os melros e os outros passaritos. Lembrei-me então das obras de Sophie Matisse (sim, a neta de Henri Matisse) expostas em 2002 em NY. Nas telas, todas as pessoas e animais foram removidos deixando apenas os espaços vazios. Reparem nesta versão de Las Meninas(1656) de Velasquez. Ouve-se o eco dos espaços vazios. A amplidão do espaço permite que o nosso olhar se conduza pelas linhas de fuga até ao infinito. Em 2002 estávamos tão longe e a criatividade de Sophie deixáva-nos um sorriso no rosto e pouca preocupação na alma.

Hoje o silêncio e o vazio tomam conta das ruas e fecham-nos em casa.


Estamos (quase) todos a trabalhar a partir de casa. A comunicação é imprescindível e pensei em reabilitar este blog que estava adormecido há anos. Se ele for útil aos meus alunos já cumpre a sua função.

Fiquem bem, fiquem em casa
#euficoemcasa

sábado, 5 de junho de 2010

Exposição de Diários Gráficos na FBAUL



Uma belíssima exposição de páginas de diários gráficos. E o que são diários gráficos? Para alguns a expressão pode ser totalmente desconhecida, mas para outros o Diário Gráfico é um objecto imprescindível. Para aqueles para quem o desenho é a forma de expressão por excelência. O diário gráfico não tem formato certo, ele é escolhido pelo seu autor. Há diários gráficos de tamanho A4 (que particularmente acho pouco cómodo) até ao A6...O formato A5 é talvez o mais usado. Aí o seu autor desenha, escreve, pinta, recorta e cola...enfim um diário gráfico é um objecto onde se anotam diariamente (diário!!!) "impressões"...só que estas impressões (que vão desde sentimentos, comentários, desenhos de objectos, pessoas ou situações reais ou inventadas) são essencialmente desenhadas e não escritas. Um diário gráfico é uma ajuda preciosa para os alunos e professores de Artes, assim como para os artistas plásticos que fazem destes objectos, muitas vezes, veículo para a projecção das suas ideias que se concretizam depois em esculturas, pinturas, instalações ou performances.

A exposição está na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e é de alunos da António Arroio (alguns deles meus antigos alunos...os melhores!!!!)