sábado, 24 de maio de 2008

A propósito da Arte Contemporânea


Se fosse tão simples enquadrar a arte contemporânea como é a arte do passado... Se calhar por estarmos tão próximos do nosso tempo, se calhar porque vivemos numa sequência de crises socioculturais, se calhar porque tomamos consciência das multiculturalidades, se calhar porque a arte contemporânea se reveste de características muito específicas que não se prendem apenas com o tipo de material usado... Por tantos outros factores.


Mas este post é para uma antiga aluna (que agora está a braços com o 12º ano, a PAA...)e tinha uma dúvida em relação ao Pollock, ao Dubuffet e a outro Jean que, presumo, seja o Jean Fautrier. Todos inseridos no grande "bolo" que é o Informalismo definido como "toda a pintura que se servia da cor o menos possível contida em esquemas, diafragmas ou limites compositivos e que, nesse sentido abrangia quase todo o abstraccionismo que não fosse geométrico ou construtivista"...isto nas palavras de G. Dorfles nos anos 70. Mas o Informalismo pertence a um outro grande "bolo", aqui entendido como uma família morfológica -a Linha da Expressão. Assim a Linha da Expressão compreende a Arte Nova, o Expressionismo, o Futurismo, o Abstraccionismo Expressionista, a Action Painting, a Body Art, o Informalismo e algumas presonalidades isoladas como o Jean Dubuffet, Egon Schiele, Rouault, Giacometti, Modigliani, de Kooning ,Francis Bacon...

Dentro do Informalismo temos várias correntes e em relação a Dubuffet e Fautrier temos em evidência uma corrente com base na pintura matérica (quando Dubuffet não revela vestígios figurativos) que recupera o organicismo que liga o artista ou o fruidor à obra sem que existam mediações naturalistas (os tais vestígios figurativos). Quanto ao Pollock, é evidente a corrente da pintura de acção ligada aos movimentos do corpo e da mão. Ambas as correntes repousam no abstraccionismo, que resulta do prazer da pintura...de cobrir de matéria pictórica grandes superfícies utilizando paara tal uma variedade quase infinita de técnicas...A pintura informalista é uma pintura sem assunto, sem referência às grandes ideias que fizeram história no passado, sem os clássicos ideais de beleza, sem a geometria, onde o importante não é o comunicar como os expressionistas com os impulsos da alma ou gritos de dor, mas sim a valorização das relações com a matéria e a acção de fazer.
No caso de Fautrier, pode ser considerado o "pai" da pintura matérica...
As outras grandes famílias morfológicas da arte contemporânea são: A Linha da Formatividade, a Linha da Arte Social, a Linha do Onírico, a linha da Arte Útil e a Linha da Redução.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Pieter de Hooch


Confesso que já não me lembro dos quadros onde aparecem personagens parecidas com actores de cinema...só me lembro do quadro em que podemos encontrar parecenças com alguém da política portuguesa...e revelá-lo aqui seria politicamente incorrecto ;)

Mas como estamos em vésperas de teste :( deixo-vos aqui um quadro para enunciarem as características barrocas e enquadrá-lo no tempo e no espaço, justificando, claro!
(podem clicar aqui para saber mais)

Escolhi este quadro porque está no MNAA e assim se tiverem dúvidas podem ir até lá e "conversar com ele"...para quem não está muito dentro da história de arte, mas que se passeia pelo blog, é um convite para uma visita ao Museu Nacional da Arte Antiga, que tem entrada gratuita aos domingos de manhã.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

exercício



Exercício de treino para o teste:


  • 1.Partindo da imagem, aponte as características formais, compositivas e expressivas que permitem incluir esta obra na arte barroca.

  • 2.Enuncie as principais modalidades e funções da escultura no período barroco.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

a noite dos museus


Acontece este fim de semana, a noite e o dia dos museus.

MNAA, Museu Berardo, Museu da Cidade, Museu Bordalo Pinheiro, Convento de Mafra, entre outros
há iniciativas nos museus à vossa espera.

dirvirtam-se ;)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Mais um palácio



Ainda só recebi uma transformação de Lucien Freud em Rubens!

Deixo aqui uma imagem de um palácio nos arredores de Estocolmo. Em que período da História da Cultura e das Artes o podemos enquadrar?

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Desafio


Como transformar esta obra de Lucien Freud numa obra do século XVII...como, pintaria Rubens este modelo?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Os Anjos e outras criaturas celestes


O que sabem sobre anjos, querubins, serafins e outras criaturas celestes?

Anjos são criaturas puramente espirituais, que segundo a crença cristã, habitam no Céu (isto leva-nos à definição de Céu, mas fica para outro dia). Estes são também mensageiros. Gabriel, Miguel e Rafael são os nomes mais citados nas Escrituras, que ao que parece pertencem a uma ordem superior e por isso são também chamados de Arcanjos.


Querubim é mais uma categoria de anjo e que segundo o Antigo Testamento está abaixo do Serafim (mais uma categoria). Nas artes aparece representado com uma cabeça de criança sustentada por duas asas (!) O Serafim, por estar acima, já aparece de corpo inteiro.

Durante o período barroco estas figuras vão ser muito utilizadas, quer na pintura quer na escultura. Em Portugal temos o exemplo dos altares de talha dourada onde, sem grande esforço, encontramos estas criaturas aladas e umas outras, os Putti. Mas as criaturas aladas já são vossas conhecidas da Antiguidade Clássica...lembram-se do Cupido?

Cupido e Putto ou Putti são termos usados para designar figuras de crianças (nuas), mas enquanto o cupido tem asas o Putto não tem...e também não tem setas!!!


Andei a tentar fotografas anjos, mas como não consegui fui buscar esta dos papos e já vem com a receita!

Ceia em Emaús - Caravaggio


Hoje na aula estivemos a comentar este quadro, mas houve dúvidas sobre a história que está por trás. Apesar de ser uma cena religiosa, Caravaggio pintou-a como uma cena de género. As personagens são homens comuns longe das "belezas" idealizadas do Renascimento. Caravaggio, ao que parece era um pouco dado a tabernas e folguedos, e como tal usava os seus "amigos da pândega" como modelos. Mãos de trabalho, rostos marcados pelo sol, corpos curvados pelo passar do tempo...tudo isso transparece nas suas obras agitadas pelos violentos contrastes de claro-escuro.

Voltando à ceia em Emaús...conta a história que dois dos discípulos de Jesus Cristo iam pelo pelo caminho que leva de Jerusalém a Emaús (...iam a pé) e que um viajante se juntou a eles. Eles estavam tristonhos porque o seu mentor tinha sido cruxificado, tinha morrido, sido enterrado, mas o seu corpo tinha desaparecido. Desta forma saiam goradas as esperanças (políticas e espirituais) de se ter encontrado um libertador para Israel. (esta história das escaramuças por aqueles lados, como constatam, não é fruto do século XX, mas já vem de longe)

O viajante, disse desconhecer a história e o tal cabeludo do Jesus Cristo, e então pediu-lhes o favor de lhe contarem à laia de telenovela. Quando chegaram à parte do túmulo vazio deixaram escapar as suas dúvidas em relação ao ressuscitamento do Messias... esgrimam-se ali uns argumentos sobre fé e as sagradas escrituras e acabam o dia numa taberna à beira da estrada (já em Emaús) onde o estranho viajante toma o pão, benze-o, parte-o e oferece-o... é então que os discípulos o reconhecem e como que por um acto de magia Cristo desaparece.


Boa história, que se enquadra perfeitamente no espírito barroco: o ser e o parecer, a essência da fé, o inesperado.


Agora olhem para o quadro: sobre a toalha branca, existem iguarias (a carne, a fruta) mas também em destaque encontramos o pão e o vinho. A mesa da taberna em Emaús transforma-se na mesa da última ceia de Cristo, um altar onde se celebra o sacrifício eucarístico.. reparem na prontidão com que o discípulo da esquerda responde a Cristo, inclinando-se para a frente e apoiando as mão nos braços da cadeira..reparem no rasgão no cotovelo...reparem na concha pendurada ao peito do outro discípulo (é o símbolo dos peregrinos...daqueles que empreendem a viagem pela fé)


Este é o momento exacto em que Cristo se dá a reconhecer aos discípulos. É o congelar do momento...no segundo antes eles não sabiam que aquele era o Messias...no segundo seguinte ele desaparecerá. Está mais uma vez a essência do barroco expressa neste quadro.
E onde encontrar este quadro? Na National Gallery, em Londres.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Artemísia Gentileschi



Lembram-se de termos falado sobre: porque é que nunca estudamos mulheres artistas? Amanhã vamos falar sobre Artemísia Gentileschi (1597-1651). Foi uma seguidora de Caravaggio que trabalhou para a corte espanhola...por se ter estabelecido em Nápoles ;) Uma mulher pintora nos séculos XVII-XVIII é uma situação não muito vulgar, mas mais inovador é a sua atitude em insistir viver da pintura...pintura a sério e não de "naturezas mortas", género que era permitido às senhoras (ok, já sei temos os ecologistas todos à perna por temos morto a natureza!!). Esta artista plástica era filha de um pintor, o que para a altura deve ter facilitado um pouco as coisas. Pelo menos em Portugal, essa situação facilitou a vida a Josefa de Ayalla.
A imagem é óbvio que não é da nossa pintora barroca, mas sim de Judy Chicago (Americana nascida em 1939), apesar de esta instalação ter algo de "banquete barroco". "The Dinner Party" é uma instalação em forma de mesa triangular onde estão presentes "39 lugares" para mulheres. Com a data 1974–79, é uma técnica muito mista: ceramica, porcelana, textil. Podem fazer uma visita virtual ao Brooklyn Museum.

Quem quiser uma versão mais conservadora pode dar um pulinho ao site do Metropolitan Museum of Art